Precisamos falar de ‘Menino de Ouro’, um livro transformador! -contém spoilers leves-

(Fiquei um tempão tentando fazer esse post, mas é MUITO difícil falar de uma coisa que me impactou tanto!
Então, se a resenha não estiver INCRÍVEL, me perdoem e comentem aqui embaixo para conversarmos mais sobre esse livro!)

Todos os livros que leio durante o mês anterior, ganham resenha no primeiro dia do mês seguinte aqui no blog, mas ultimamente, como tenho lido mais, tenho sentido que alguns desses livros precisam ganhar ‘posts próprios‘, foi o que aconteceu em ‘O Sol Também É Uma Estrela‘, e é também o que está acontecendo agora com ‘Menino de Ouro’.

menino-de-ouro

 A sinopse do livro diz:
‘A família de Max não permitiria nenhum desvio na imagem perfeita que havia construído. Karen, a mãe, é uma advogada renomada, determinada a manter a fachada de boa mãe, esposa e profissional. Steve, o pai, é o exemplo do chefe de família presente em sua comunidade, favorito a um importante cargo público. O ponto fora da curva é Daniel, o caçula, que, para os padrões da família Walker, é “estranho”: não é carinhoso, inteligente ou perfeito como Max. Melhor aluno da escola, capitão do time de futebol, atlético, simpático, sucesso entre as garotas: Max, o primogênito, é o menino de ouro. Ninguém poderia dizer que sua vida não é perfeitamente normal. Ninguém poderia dizer que Max esconde um segredo. Ele é diferente, especial. Max é intersexual: nasceu com os dois conjuntos de cromossomos, XX e XY e, portanto, é menino e menina. Ou nenhum dos dois (…)

Comecei a ler esse livro depois de ter visto um vídeo da Mayra do ‘All About That Book’, mas não fazia IDEIA do que me esperava!
Que livro transformador!

Preciso começar falando da narrativa.
A autora, Abigail Tarttelin aborda, para cada capítulo, a narrativa de um personagem diferente, o que movimenta a trama de uma forma mais profunda (como se fosse possível) e nos permite conhecer ainda mais as condições de ambiente e personalidades que orbitam Max.
Essa forma de escrita unida aos vários desdobramentos das questões centrais, engrandecem o foco do livro e trazem luz a assuntos super importantes.

O impacto inicial vem direto do primeiro capítulo do livro. Mesmo pecando por não sinalizar o TW (‘trigger warning’ = alerta que se coloca no começo de um texto para que as pessoas saibam da existência de um conteúdo ali que pode servir de gatilho para um eventual trauma, desencadeando memórias e sensações dolorosas), a cena discorrida é visceral e funciona como o primeiro corte para abordagem de uma questão muito grave e importante:
Por que precisamos falar sobre abuso sexual, especialmente quando se tratam de conhecidos e como isso pode impactar direta e diariamente a vida de quem sofre um trauma assim?
Tudo isso ilustrado pela situação vivida por Max com Hunter, uma pessoa de sua alta confiança e que fazia parte dos poucos que sabiam de sua condição.

Num segundo plano, na continuidade do livro, temos a chegada de uma outra personagem que traz mais um momento de impacto:
Se ela existe, qual é a verdade no gênero e na sexualidade de Max? Até que ponto o gênero sexual define uma pessoa e suas relações, por dentro e por fora?
A correlação distante entre o posicionamento da mãe e do pai de Max, contrabalanceada pela Dra. Archie, traz um respiro sobre questões mais profundas ainda como a falta de informação.

É difícil não colocar cada tema em uma ‘cesta‘, mas a realidade é que está tudo muito interligado.
A anulação do auto-conhecimento de Max por conta das barreiras de seus pais sobre o assunto, as inseguranças e conquistas do protagonista, mesmo sendo elas muito comuns na adolescência, as pequenas vitórias diárias derrubadas por uma depressão consequente de um trauma tão profundo, enfim, tudo isso unido ao fato de que Max não tinha quase nenhuma informação concreta sobre como seu organismo e sua personalidade se comportariam diante da vida adulta, funciona como uma onda que traz a tona um novo olhar do leitor, cheio de empatia, não apenas sobre ele, mas sobre situações da vida real.

Não posso, nem consigo, negar minha comoção ao ler esse livro.
Apesar de achar o final rápido demais, me senti transformada ao termina-lo.
Profundamente tocada com a história, passei a reavaliar algumas das minhas opiniões, das minhas crenças sobre a humanidade.
A maior lição de ‘Menino de Ouro’ é um quote de um diálogo entre Max e Daniel (seu irmão caçula) que fala sobre EMPATIA.
Menino de Ouro

*

Se você já leu ou ficou com vontade de ler ‘Menino de Ouro’, comenta aqui embaixo!
Vamos falar sobre isso!

Beijos!♥

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2 comentários sobre “Precisamos falar de ‘Menino de Ouro’, um livro transformador! -contém spoilers leves-

  1. […] Fiquei Com Seu Número – Sophie Kinsella Editora: Record Sinopse: ‘A jovem Poppy Wyatt está prestes a se casar com o homem perfeito e não podia estar mais feliz… Até que, numa bela tarde, ela não só perde o anel de noivado (que está na família do noivo há três gerações) como também seu celular. Mas ela acaba encontrando um telefone perdido no hotel em que está hospedada. Perfeito! Agora os funcionários podem ligar para ela quando encontrarem seu anel. Quem não gosta nada da história é o dono do celular, o executivo Sam Roxton, que não suporta a ideia de ter alguém bisbilhotando suas mensagens e sua vida pessoal. Mas, depois de alguns torpedos, Poppy e Sam acabam ficando cada vez mais próximos e ela percebe que a maior surpresa da sua vida ainda está por vir.‘ O que eu achei: Eu já conhecia Sophie pelo (adaptado para os cinemas), ‘Delírios de Consumo de Becky Bloom‘, mas não havia lido nada dela antes de ‘Fiquei Com Seu Número‘ e a expectativa se alinhou a realidade. Trata-se de um romance bem açucarado, cheio daquele toque de comédia-romântica B americana, dos longas que poderia ser estrelado por Kate Beckinsale ou Katherine Heigl. Achei a história manjada e a trama bem clássica com um inicio curioso e uma continuidade amarrada para que os personagens sejam bem humanizados. No mais, foi de utilidade para ~limpar o paladar~ do limbo literário depois de ‘Menino de Ouro’. […]

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