(TW) Não foi minha culpa.

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Ficava ali, do lado da nossa foto, aquele primeiro bilhetinho que cê me deu. Tá lembrado? Você escreveu que não sabia como, mas que tinha me achado. Deu uma romantizada (afinal, fomos quase empurrados um pro outro pela sua prima), mas se eu dissesse isso pra você, ia ter que ouvir de novo sobre como eu era racional. E teimosa. Nossa, como você me chamava de teimosa. Cismava que eu tinha que ceder aos seus caprichos e me deixava cismada a nunca ceder. Ainda assim, dava pra sentir o amor entre nós, aquele amor ‘copo-meio-cheio’, aquele amor quente e confortável. Aquele amor esquisito, mas honesto, daqueles que devolve o troco errado pro atendente.
Vivíamos nesse bolha cheia de amor, discordâncias e dias de calor com sorvete na plataforma do metro.

Foi num momento sutil, que senti a primeira mudança em você que, do nada, passou a medir as roupas que eu colocava pra sair e olhava nos meus olhos com uma intimidação que não existia na sua corrente sanguínea antes. Mesmo ela que, de certa forma, me ajudava, me mostrou lá no fundo dos seus uma nuvem imensa, cinza e carregada do que parecia ódio.
As disputas românticas começaram a se afastar, dando lugar a uma ronda esquisita, como uma terceira pessoa a espreita, esperando nossa próxima discussão pra sentar no meio de nós dois e transformar, o que seria um ‘ajuste de opiniões’ em ‘escândalos sem proporções’.

De repente, tudo o que eu fazia era um grande motivo pra te deixar irritado, incomodado, magoado, e tantos outros ADO’s que eu me atrapalhava e me sentia como uma dessas baratas que percebe que chegou no último canto possível, que não tem mais volta, que o beco não é só sem saída, mas também é frio e escuro.

Foi numa terça-feira comum. Foi lá, naquele dia que seria como todos os outros, que seus outro rosto apareceu pra mim. Que a nuvem do fundo dos seus olhos ganhou proporções tão grandes, que te encobriram por inteiro.
Que ME encobriram por inteiro.
Me encobriram tanto que sei que as pessoas buscaram motivos.
Foi por causa de uma saia que eu usei, por causa de uma discussão em que me exaltei. Foi porque dancei com seu irmão, porque sentei ao lado do nosso melhor amigo. Foi porque te contei que não queria filhos.
Foi porque bebi um pouco a mais, porque fiz trabalho com um rapaz na faculdade, porque não te avisei quando cheguei em casa depois de um happy hour com o pessoal do trabalho.

Eu tô te falando tudo isso, mas eu sei que você não vai ouvir.
Ninguém mais me escuta.
Você me calou e nem me deu tempo de dizer que a culpa não foi minha.
Que não foi minha.
Não foi da minha saia, não foi de alguma coisa que eu fiz, não fiz, disse, não disse…
Não foi minha.
Que eu não sou mais minha.

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2 comentários sobre “(TW) Não foi minha culpa.

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