Sobre o que eu quero escrever.

Sobre o que eu quero escrever.

 

Quero escrever sobre a dor. A dor de ser eu e dos meus dias perdidos e em vão, caminhando por aí como um zumbi.
Andando, sentando, trabalhando, comendo, trabalhando, andando, dormindo. E de novo. E de novo. E só muda quando eu alterno andar com beber, ou cair, ou dançar. Tudo no automático. As risadas no automático.
As vezes aparece uma expressão nova aqui ou ali. Um sorriso honesto, uma raiva com verdade. Mas aí a onda passa, como a brisa de uma droga. E fica tudo no automático de novo.

Levanta, toma banho, dá um like aqui, dá outro like alí, faz o que as pessoas pedem, sorri, paga as contas, fica sem dinheiro, trabalha mais, sorri, compra uma roupa da moda, mais um like, assiste aquele programa que comentam, e sorri de novo, e sorri mais, e sorri.

Aí se cansa, mas não tem tempo pra se cansar. Tem que achar um amor, tem que ser feliz com esse amor, sorrir. Tem que casar, que ter filhos, que ter casa, mais dinheiro, carro, mais dinheiro, tem que ter emprego bom e tem que dar exemplo. Tem que pensar no que dá segurança, não pode decepcionar. Nunca.

Aí se cansa, mas de novo, tá sem tempo pra cansar. E sem tempo, e sem brisa, e perdendo duas horas no trânsito, e esse é o high light do dia, porque tá cansado pra pensar em outras coisas que não seja o tempo que perdeu pra se cansar.

Aí morre. E só morre porque não tem mais nada pra fazer. Porque tá cansado, porque chega de verbos, de likes, de trânsito. Chega de brisas.

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